A primeira transmissão de TV no Brasil aconteceu em 18 de setembro de 1950. Mesmo com o surgimento do novo meio de comunicação, o rádio permaneceu em sua fase de ouro até meados daquela década, com a prevalência de grandes produções.
Em 1952, Paulo Gracindo era o galã da radionovela "O Direito de Nascer", onde vivia o personagem Albertinho Limonta.
No humor, o ator também brilhava com a interpretação do Primo Rico, no "Balança mas não cai".
Ambos os programas ganharam versões televisivas nos anos 1960.
Aqui lembramos de uma passagem do quadro "Primo Rico, Primo Pobre", em que Gracindo dividia as atenções com Brandão Filho. Veja nesta edição do Interferência, quadro que é apresentado semanalmente no "Olá, Curiosos!", programa que dá continuidade ao tradicional "Você é Curioso?", que permaneceu no ar por 19 anos na Rádio Bandeirantes.
A edição completa em homenagem aos 70 anos da TV você pode acompanhar neste link.
Balança Mas Não Cai foi criado por Max Nunes e entrou no ar pela Rádio Nacional em 1951. Em 1968, o edifício onde viviam os personagens mais engraçados da cidade maravilhosa passou a ser mostrado também na TV. Acompanhe no player abaixo uma edição do quadro quando era veiculado no rádio.
Ouça também no seu agregador de áudio preferido. Clique em uma das imagens abaixo e vá para o podcast Peças Raras:
Neste 8º episódio do nosso Museu Virtual do Rádio e da TV, a aluna de Publicidade e Propaganda da FAAP, Natália Theobaldo Munhoz, entrevista o pai James Beal Munhoz. Ela mesma fez a edição desse vídeo, ao qual deu o nome de "Volta no Tempo".
Na infância e na juventude, James tinha uma relação muito próxima com o rádio. Era por meio dele que ouvia música, notícia, futebol, prestação de serviço. Seu melhor companheiro e mais presente do que a TV. Geralmente ouvia o rádio sozinho, mas às vezes com familiares e amigos também. À noite, escutava junto com o irmão.
O primeiro aparelho ao qual James teve contato era de válvula e ficava na sala. Mas o que marcou mais foi um transistorizado, que ele levava para todo canto e, posteriormente, o rádio do carro, que ouve até hoje.
Na entrevista, Natália ficou sabendo que o pai já havia trabalhado na rádio Universal, de São Roque, onde apresentou o “Bom dia, Saúde”. Na atração, James tocava música e falava sobre saúde, além de responder às perguntas enviadas por ouvintes.
Assim como a maioria dos entrevistados, ele também se lembra de jingles marcantes, como os de Cobertores Parahyba e Casas Pernambucanas.
O audioguia de mais uma visita à memória do rádio
desta vez vem do aluno de Rádio e TV da FAAP, André de Amorim. Abaixo, o texto
e os áudios que você ouve neste passeio. Tem Nhô Totico e sua pioneira
escolinha, Hebe Camargo cantando e o anuncio do fim da 2ª Guerra:
Maria de Nazareth nasceu no dia 28 de setembro de 1932,
ou seja, aproximadamente dez anos após a primeira transmissão oficial de rádio
em território nacional.
O primeiro aparelho adquirido por sua família foi
quando ela tinha apenas sete anos de idade. Apesar do estereótipo dos aparelhos
enormes da época, que ocupavam móveis inteiros, no caso da família dela, era um
rádio relativamente pequeno, tendo uns quarenta centímetros de comprimento.
De acordo com sua memória, a família seguia uma
rotina. De dia, os adultos trabalhavam e as crianças iam para a escola, porém,
quando a noite chegava todos se reuniam na sala para ouvir o rádio. Naquela
época, as crianças eram estritamente proibidas de tocar nos botões do
dispositivo.
Segundo seu pai, isso acontecia porque era uma
aparelho caro e frágil. O que sua família mais gostava de escutar, na época,
era o programa jornalístico "A Hora do Brasil", além das programações
musicais,enormementeapreciadasporela.
Em relação ao radiojornalismo, Maria ainda comenta
sobre uma sensação de conexão mundial. Como sua família morava em um bairro um
pouco mais distante do centro de São Paulo e o transporte da época era
restrito, o acesso às informações, principalmente para uma criança, não era tão
fácil.
A chegada do rádio facilitou, nesse sentido,
afinal, agora as notícias adentravam as casassemgrandesrestrições. Ainda pensando na infância e na
juventude, Maria de Nazareth se lembra de alguns programas e personalidades que
marcaram aquele período. Esse é o caso de Nhô Totico, com o programa
"Escolinha de Dona Olinda", QUE
RELEMBRAMOS AQUI, EM UMA ENTREVISTA DADA PELO SAUDOSO HUMORISTA AO APRESENTADOR
GERALDO NUNES. O ÁUDIO É DO INÍCIO DA DÉCADA DE 1990, QUANDO O JORNALISTA
APRESENTAVA O “São PAULO DE TODOS OS TEMPOS”, NA ELDORADO AM.
Maria de Nazareth também se lembra de Chacrinha no
rádio, com o programa "Rei Momo na Chacrinha" e das cantoras Hebe
Camargo e Lolita Rodrigues,queiniciavamsuascarreirasnaquelecenárioradiofônico. E NO NOSSO MUSEU VIRTUAL VAMOS LEMBRAR DE
UMA RECONSTITUIÇÃO DO SURGIMENTO DA CANTORA HEBE NO RÁDIO, FEITA PARA O QUADRO
INTERFERÊNCIA PRODUZIDO POR MIM PARA O “VOCÊ É CURIOSO?”, DA RÁDIO
BANDEIRANTES.
Para Maria de Nazareth, um dos acontecimentos
mundiais que mais marcou sua história com o rádio foi o cenário da Segunda
Guerra Mundial. Pelo que ela conta, a região de Pirituba onde ela morava, era
bastante ligada ao cenário das migrações. Assim, em sua vizinhança, havia
muitas famílias de húngaros, italianos, ingleses e seus descendentes. Dessa
forma, mesmo que a guerra parecesse distante para aquela jovem que morava no
Brasil, todos tinham parentes que ingressavam o cenário tenebroso do conflito.
Então, para ela, se tornou inesquecível o momento em que, pelo rádio, foi
anunciado o fim da guerra.
REPÓRTER
ESSO – ACABOU A GUERRA
O momento era de festa, as pessoas comemoravam
aliviadas que seus parentes finalmente estariam emsegurança,longedebatalhas. Bom, isso é um pouco da história
que Maria de Nazareth, com seus oitenta e sete anos de idade, lembra de ter
vivido, na companhia do rádio. Pelo que ela conta, o aparelho fez parte de sua
história, tendo sido um objeto que proporcionou diversas aprendizagens e fez
com que ela entrasse um pouco mais em contato com diferentesculturas.
Hebe brilhou como cantora, antes de se tornar a rainha da TV brasileira
Mais um audioguia do nosso
museu virtual do rádio e da TV, projetorealizado com alunos de comunicação da FAAP. Acompanhe no player abaixo ou neste link:
Em meados de março, quando
as aulas passaram a ser a distância, convidei minhas turmas de Publicidade e
Propaganda e de Rádio e TV para que conversassem com parentes que estivessem na
mesma casa ou por telefone, sobre como era a relação desses familiares com o
rádio na infância e juventude.
Nesta sexta visita, vamos
ouvir a entrevista que a aluna de Publicidade e Propaganda, Fernanda Fraioli,
fez com o tio Amarildo Roberto da Silva.
Ele conta como curtia e
também participava de programas de rádio no tempo em que foi jogador de futebol
em Goiás e em Mococa, onde nasceu e mora atualmente.
Entre as peças raras que
vamos lembrar está o programa do Zé Bettio e o jingle do leite Mococa,
patrocinador do Radium, time da cidade em que Amarildo jogou também.
Acompanhe algumas fotos
que mostram Amarildo nos tempos em que atuou como jogador e também uma em que
se vê o radiogravador em que ele ouvia o programa de Zé Bettio e outros com o
pai.
No 5º episódio, a aluna de Rádio e TV da FAAP, Letícia
de Freitas, relata a conversa que manteve com Marcos, de 71 anos.
Nascido em Atibaia, Marcos começou a ouvir rádio
bem pequeno e até hoje lembra do radinho de pilha que tinha na sala de jantar,
do modelo “spica”, que levava alegria durante a noite para a família.
Dos 16
anos para frente, porém, me disse que a memoria é mais “fresca”, gostava de
ouvir a Rádio Eldorado, 700 no AM, com programas de notícias e música popular
brasileira, que eram seus programas favoritos.
Outra coisa que me disse que ouvia bastante eram as
propagandas da época, e até se arriscou em cantar uma delas para mim. “Já é
hora de dormir, não espere mamãe mandar. Um bom sonho para você e um alegre
despertar. Cobertores Pharaiba”, outra que também marcou bastante sua infância
foi “Tosse, bronquite e rouquidão, Xarope São João”.
Ilustração de Mario Fanucchi para a TV Tupi no início dos anos 1950
De todas as horas usadas para ouvir ao rádio, ele
me disse que o momento mais emocionante dessa história de parceria entre os
dois, foi a Copa de 1958, que aconteceu na Suécia, e que, apesar de não ter um
jogo em específico que acione a memória, lembra exatamente a sensação aumentar
o volume, toda vez que ouvia um gol.
Hoje em dia, apesar de mais idade, Marcos ainda é
daqueles idosos que gosta de sair nos finais de semana, ele e a esposa Beth,
são conhecidos no bairro como o casal que quase nunca está em casa nos finais
de semana. Os dois estão sempre em algum show de música ou em um restaurante da
cidade. Mas, como dois amantes do rádio, ele me disse que os dois gostam de
ouvir a seleção de músicas da Jovem Pan, no caminho de volta para casa. E, já
que eu mencionei sua esposa, Marcos me disse que apesar de não ter tido contato
com nenhuma figura do rádio, a Beth era ate que conhecida no ramo, e já teve
contato com Gilberto Gil e Edu Lobo, no Festival Popular da Música Brasileira,
no teatro Record, em 1967.
Ainda hoje a relação entre Marcos e o rádio
continua, ele ainda ouve muita música e gosta de acompanhar as notícias, mas
ate do que pela televisão. Ainda divide os momentos com a família e com a
esposa, e disse que, o objetivo agora, e tentar fazer com que os netos se
apaixonem pelo menos um pouco pelo objeto que o acompanhou em vários momentos
de sua vida. Acompanhe também a versão publicada no Podcast Peças Raras (no player abaixo ou em aplicativos como Spotify, Deezer, Apple Podcasts, Google Podcasts, Castbox e outros), adaptada para o áudio:
Mais uma história em exposição no Museu Virtual do Rádio e da TV. Desta vez, um relato repleto de emoção na conversa entre filha e pai. Acompanhe a entrevista de Luma Cesar, aluna de Publicidade e Propaganda da FAAP, com o pai.
Cesar Filho fala de suas referências e revela que, quando criança o rádio era o destaque na casa dele. Foi por meio de um rádio de pilha que tomou contato com suas primeiras referências: Osmar Santos, Hélio Ribeiro e as rádios musicais em AM de São Paulo: Difusora e Excelsior.
Além de trechos desses prefixos e profissionais, no final, uma mensagem do Dia do Rádio interpretada pelo próprio Cesar Filho (com colaboração de Celso Casemiro, do Memorial Hélio Ribeiro). O comunicador dá voz à letra de Michael Sulivan e Paulo Massadas, que ficou conhecida na voz de Tim Maia e originalmente foi feita para a Bandeirantes FM (atual Band FM), como tema de fim de ano: Leva.
Abaixo, duas fotos enviadas pelo próprio Cesar Filho, no estúdio da Band FM.
Dona Izabel é a nossa convidada de hoje. Vamos começar voltando lá
atrás, quando iniciou sua relação com o rádio. Bom, sua primeirainfâncianãofoi das mais privilegiadas e
a única forma de seus pais terem alguma informação erapelosrádiosdeseusvizinhos. Eles aumentavam o som para que a vizinhança conseguisseouvirasmúsicaseasnotíciasqueeramtransmitidas por aquele
meio.
Na sua juventude,aindapobre,continuavaconsumindorádiopelos vizinhosquetinhamumpoucomaisdedinheiroeconseguiamcompraro aparelho.
Izabelcomeçouatrabalharcedo,aos13anos,inicioucomo doméstica,enascasasdeseuspatrõesouviarádioenquantotrabalhavae cozinhavaparaeles.Elaamavacantarolardurante o trabalho,esegundo ela,nãofaziafeionoserviço.Semprequepodia,sintonizavanocanal onde tocava música, desse jeito sentia
que o tempo passava mais rápido e se divertia fazendo suas tarefas domésticas.
Nessaépocaquecomeçouatrabalhar,conheceuSr.LuizCarlos, quando iam nos cultos de sua igreja. Namoraram por três anos e
se casaram. Logo que começaram a melhorar um pouco de vida, Sr. Luiz comprou um
rádio de pilha para a casa deles, e o deixava com Dona Izabel enquanto ia
trabalhar. O que a jovem mais consumia era certamente música, pois passava o
dia em casaarrumandoopequenocômodoondemoravamenquantoomaridonão chegava do trabalho.
Em1963tiveramsuaprimeirafilha, Rosemary,ecomoamaioriadas mulheresdaquelaépoca,ficavaemcasacuidandodesuafilhaenquantoo marido ia trabalhar. Dona Izabel relatou que seu grande companheiro
naquela época foi o rádio, pois passava o dia todo sozinha cuidando da casa e
de sua recém-nascida. Naquela época estavam ocorrendo muitos movimentos
políticos e foi pelo rádio que ela escutou que a ditadura havia estourado.
Em sua descrição sobre esse acontecimento,contouqueaoouviranotíciaficouextremamente assustada,queseumaridoestavaforadecasaequeseusvizinhos esvaziaramaruaimediatamenteapósanotícia.Percebique,aocontaresse fato,suarespiraçãoficouofeganteeansiosa,comosetivesse revivendo aquele momento.
Hoje em dia, Dona Izabel acha que consome mais TV do que rádio. Seu
contatocomorádiosedámaisquandoentranotáxiparairaomercadoou quando vai passear com seus filhos e netos, apesar de dizer sentir
falta de ligar o rádio e cantar junto com ele como antigamente.